"four hearts in a can, speeding through the countryside and they're driving as fast as they can"

- four hearts in a can, smog

 


Godspeed You! Black Emperor “Yanqui U.X.O.” (Constellation)
Uma banda chega ao centro das atenções de diversas maneiras. O Godspeed You! Black Emperor escolheu a reclusão. A mídia engoliu. Obviamente, a música foi fator decisivo. Desde 1996, o coletivo canadense tem seguido uma rota ascendente que culminou em Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven, de 2000. A pequena obra-prima criou dúvidas em relação ao futuro do grupo. Para onde ir após atingir a perfeição? Os primeiros boatos sobre o novo álbum colocavam Steve Albini nos controles. Grandes expectativas, já que o mesmo vinha de um sensacional trabalho com o Mogwai. Os boatos se confirmaram e Yanqui U.X.O. mostrou uma banda muito mais calma e paciente do que se esperava. Os climas são construídos aos poucos, sem pressa. As gravações de campo e o discurso politizado, marcas registradas, se foram, mas as batidas marciais persistem. Definitivamente, esse disco vai custar para ser digerido, mas os que resistirem sorrirão ao constatar a evolução de um dos grupos mais criativos da nossa era.

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Visite: www.brainwashed.com/godspeed





Black Heart Procession “Amore del Tropico” (Touch & Go)
Depois de nomear numericamente seus três primeiros discos, o Black Heart Procession quebra a tradição em Amore del Tropico. Não só por isso, claro. Se alguém tiver o primeiro contato com a banda através desse álbum, nunca imaginará os caminhos sombrios que os levaram até aqui. As canções estão mais consistentes, as batidas mais animadas, a mixagem mais clara, os instrumentos mais audíveis. Não há como passar desapercebido pelas vozes femininas nos backing vocals, o clima latino, o tom de rádio de flashback, o ar de mistério. Ah, o ar de mistério. Chegamos a um ponto importante da nossa trama. Esse é um disco atípico do Black Heart Procession. A banda diz que o álbum é uma história de mistério, com mais pistas a serem descobertas em um futuro DVD. A nós, resta a tarefa de tentar desvendá-la. Por outro lado, o grupo está recebendo tanta atenção, inclusive da grande mídia, que parece estar apenas brincando com o mainstream. Seja o que for, eles conseguiram fazer mais um excelente disco.

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Visite: www.blackheartprocession.com





Sixteen Horsepower “Folklore” (Jetset)
Ficar um tempo longe de tudo fez bem a David Eugene Edwards, corpo e alma do Sixteen Horsepower. A prova disso está nos excelentes discos que lançou esse ano, Folklore e Woven Hand, de seu projeto solo homônimo. Colecionador de instrumentos antigos e criado em uma família de pastores, Edwards deixou de lado sua religiosidade excessiva para mergulhar ainda mais fundo em sua pesquisa sobre o espírito americano. Em pouco menos de 40 minutos, Folklore caminha entre canções originais, músicas tradicionais e versões de figuras emblemáticas como Hank Williams e Carter Family. Essa viagem ao tempo da depressão coloca o Sixteen Horsepower novamente em contato com o Southern Gothic, movimento não declarado que transporta para a música o mesmo sentimento das obras de escritores como Tennessee Williams e William Faulkner. David Eugene Edwards deixaria orgulhosos pesquisadores da música folclórica americana como Harry Smith e Alan Lomax. Folklore é a prova de que seus trabalhos não ficaram no passado.

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Visite: www.16horsepower.net





Sigur Rós “( )” (Fat Cat)
Depois do sucesso de Ágætis Byrjun, muito se especulou sobre o rumo que os islandeses do Sigur Rós tomariam. Um álbum sem título, faixas sem nome e encarte praticamente em branco dão o clima para canções compostas durante as turnês. Talvez essa falta de tempo, somada à pressão por um sucessor à altura de Ágætis Byrjun tenha se tornado um problema. Mas um disco previsível não é necessariamente um disco ruim. As letras, ainda no hopelandês de Jon Birgisson, seguem um tema sonoro que se torna cansativo ao longo do álbum. Até a quarta faixa, conhecida pelos fãs como “Njosnavelin” graças ao filme Vanilla Sky, a banda se entrega a experimentos de estúdio e mixagens cuidadosas. Depois disso, segundos de silêncio separam os lados do álbum, recurso cada vez mais comum para tentar emular os saudosos discos de vinil. A segunda parte nos leva a caminhos conhecidos, relembrando crescendos apocalípticos e longas improvisações. O novo álbum pode não ter o impacto de Ágætis Byrjun, mas é tão bom quanto.

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Visite: www.sigur-ros.com




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