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 Arab Strap “Monday at the Hug and Pint” (Chemikal Underground) Após tirarem um ano para se dedicarem aos seus discos solo, Malcom Middleton e Aidan Moffat voltam com o quinto álbum do Arab Strap. Durante esse breve recesso, Moffat lançou Hypnogogia sob o codinome Lucky Pierre, um álbum instrumental cheio de climas construídos por bases simples de piano, cordas e batidas eletrônicas. Middleton por sua vez, assumiu a simples fórmula voz e violão para cantar suas baladas confessionais em 5:14 Fluoxytine Seagull Alcohol John Nicotine. O resultado dessa troca de papéis resume bem Monday at the Hug and Pint. Mais entrosada do que nunca, a dupla parece compreender melhor a função do outro dentro da banda. Middleton está mais pop e menos econômico enquanto Moffat está menos verborrágico e mais melódico. Se por um lado agora podemos ouvir refrões e até backing vocals, a banda não deixou de lado suas batidas toscas e vocais desafinados. Monday at the Hug and Pint, com guitarras barulhentas e arranjos exagerados, é o retrato mais fiel do grupo. Por enquanto.
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 Derek Bailey “Ballads” (Tzadik) O guitarrista inglês Derek Bailey pode ser considerado um estranho dentro do universo jazzístico. Seu estilo de tocar guitarra e violão assemelha-se mais aos estudos de John Cage do que a qualquer figurão do jazz. Não existe melodia, ritmo ou tonalidade, é tudo livre improvisação e ainda assim inclassificável. Seu interesse jaz no som e não na música em si. Com essas credenciais, Bailey esperou completar 30 anos de carreira para gravar um álbum com standards do gênero. Uma tarefa no mínimo ousada para alguém com essa fama. Mas Bailey nunca foi de se importar e enquanto busca sons pelas cordas de seu violão acústico, parece se esquecer do peso da expectativa que cai sobre mais uma versão de “Georgia on My Mind”. Suave e completamente emocionante num minuto, agressivo e ríspido noutro, mas sempre passional como nas interpretações comoventes de “Stella By Starlight” e “My Melancholy Baby”. Nada como buscar rebeldia e vanguarda na obra de um senhor de 73 anos com ainda muito para ensinar.
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 Hangedup “Kicker in Tow” (Constellation) Uns dos aspectos negativos de fazer as tradicionais listinhas de fim de ano é passar o ano seguinte descobrindo grandes discos que poderiam ter garantido um lugar no pódio. Kicker in Tow, segundo álbum da banda canadense, é um deles. Hangedup é um projeto de Eric Craven e Genevieve Heistek, também integrantes do grupo vanguardista de folk e country Sackville. Ao ouvir a massa sonora do novo álbum, mais uma vez gravado sob a tutela de Efrim Menuck, guitarrista do onipresente Godspeed You! Black Emperor, é difícil acreditar que aquilo seja produzido por apenas uma viola e uma bateria. Com espírito punk, a dupla anda pela improvisação como quem tem destino certo. Os drones viscerais de Heistek são uma multidão descontrolada indo de encontro a uma guerrilha armada, de passo marcado pela bateria marcial de Craven. A fúria e a angústia, a revolta e o desespero, a ação e a reação, os dois lados da moeda são captados com precisão pelo Hangedup. Essas são as canções de protesto do novo milênio.
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 Vários Artistas “Improvised Music from Japan Vol.1” (IMJ) O site japonês Improvised Music From Japan celebra o quinto ano de existência em grande estilo: lançando uma caixa de madeira contendo dez discos com o trabalho de 34 artistas documentados pelo site. Desnecessário dizer que todos esses artistas exploram música experimental improvisada, seja qual for seu estilo, do noise ao jazz ao pop ao minimalismo. O disco inicial abre com Otomo Yoshihide, relativamente conhecido do público ocidental. É realmente fascinante ouvir a sutileza com que sua orquestra de dez pessoas trata a peça “Cathode #4”. Em seguida, Tetsuro Yasunaga traz peças escritas para dois e quatro órgãos, processados por laptop. Yasuhiro Yoshigaki viaja com seu trompete sobre bases eletrônicas pré-gravadas, acertando o tom para todo esse primeiro volume: suave, delicado, contido. Em sua peça “T.T.”, com mais de 25 minutos e gravada ao vivo, Tetuzi Akiyama beira o silêncio. Por fim, Yasuhiro Otani impressiona com “Music for 50 iMacs”, levando ao pé da letra o título de sua obra.
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