"four hearts in a can, speeding through the countryside and they're driving as fast as they can"

- four hearts in a can, smog

 


Mogwai “Happy Songs For Happy People” (Pias)
Coletâneas e álbuns de remixes à parte, Happy Songs For Happy People é o quarto disco do Mogwai. Em 2001, na ocasião do lançamento de Rock Action, a expectativa era grande para saber se o sucessor de Come On Die Young seria à sua altura. E foi, além. A situação é a mesma aqui, mas o desfecho é outro. Se esse é um álbum com músicas felizes para pessoas felizes, quem não se acha uma das pessoas mais felizes do mundo passará a ter certeza. É interessante observar a banda procurando novas soluções para suas músicas, experimentando brinquedinhos como a bateria eletrônica ou vocoder, tentando se livrar dos estigmas que criaram. Mas onde estão as guitarras? E o barulho e distorção? Em uma palavra, cadê o Stuart Braithwaite? Parece que eles venderam as guitarras para comprar pedais de efeito e estão disputando um lugar na extinta gravadora Creation. Copiar o Slint ainda vá lá, mas Slowdive é inadmissível. Certo, o disco tem seus momentos, mas não são suficientes. Enfim, até a capa é horrível.

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Visite: www.mogwai.co.uk





Sam Shalabi “Osama” (Alien8 Recordings)
O guitarrista Sam Shalabi é uma das figuras mais ativas na cena experimental de Montreal. Além de lançar discos solo e com sua banda, Shalabi Effect, toca em grupos como A Silver Mt. Zion e Molasses. Osama é o segundo álbum sob seu nome e, de acordo com o próprio, além de ser um protesto a arabofobia em um mundo pós-9/11, é também um disco autobiográfico, já que Osama é seu nome verdadeiro. O novo álbum funciona quase da mesma maneira que seu antecessor, On Hashish, ou seja, gravações de campo, sessões de improvisação e fitas cassete formam a matéria-prima para as colagens em estúdio. Mais de trinta músicos foram escalados para a tarefa, entre improvisadores da Casa Del Popolo (que inclui grupos como 'Gypt Gore, Balai Mécanique e Po), a banda de hardcore The Donkeys, integrantes do Godspeed You! Black Emperor e um coral Sufi. Árabes, americanos e judeus são alvo de discursos preconceituosos desferidos sobre heavy metal progressivo e rock psicodélico. Osama é estranho, incômodo e genial.

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Visite: www.alien8recordings.com





Iran “The Moon Boys” (Tumult)
Se depender de Aaron Aites, a figura por trás do Iran, todo ano é 1992. Foi naquele ano que tivemos Forgotten Foundation e Slanted & Enchanted, respectivamente as estréias de Smog e Pavement, enquanto o Sebadoh já estava em seu quarto disco, Smash Your Head on the Punk Rock, o primeiro pela Sub Pop. A ordem era gravar em casa nos tosquíssimos porta-estúdios de quatro canais. Hoje em dia, quase ninguém segue por essa trilha. Até o Mountain Goats abdicou da tosqueira para lançar um disco pela 4AD. Mas o Iran passa para o seu segundo álbum como se estivesse em 1992. Obcecado por Brian Wilson e black metal norueguês, Aites absorve e transforma suas influências em música pop barulhenta. The Moon Boys é mais melódico e comportado que o auto-intitulado álbum de estréia, mas mesmo assim inacreditavelmente carregado de fuzz e feedback. Lo-Fi como há muito não se via, com direito a vocais desafinados, equipamentos desregulados, solos de puro barulho e bateria descoordenada. Naturalmente, claro.

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Visite: www.tumult.net





Vários Artistas “Improvised Music from Japan Vol.3” (IMJ)
Silêncio é o mote do terceiro álbum da caixa comemorativa do site Improvised Music From Japan. Toshimaru Nakamura passou os anos 90 tocando guitarra em grupos experimentais de rock para no fim da década largar de vez o instrumento e assumir um dos papéis centrais na criação de um movimento que ficou conhecido como onkyo, caracterizado por grupos de livre improvisação baseados no silêncio e no minimalismo. Na peça “oosslloo”, Nakamura comanda um grupo de nove improvisadores da National Academy of Fine Art da Noruega. Ruídos sutis, beirando o silêncio. Com um nome que sugere barulho, a Yoshimitsu Ichiraku Cymbal Orchestra não passa de um versátil baterista e três pratos de percussão. Ichikaru já se aventurou por diversos estilos, seja tocando música eletrônica com Otomo Yoshihide, jazz no trio do trompetista coreano Choi Song Bae ou mesmo na psicodelia barulhenta do Acid Mothers Temple, entre inúmeros outros. Ichikaru manipula os pratos como quem tira som de copos de cristal cheios d’água.

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Visite: www.japanimprov.com





Grandaddy “Sumday” (V2)
O atraso para a atualização do zine tem um culpado: Sumday, novo álbum do Grandaddy. Uma vez que o disco começa a tocar, você não quer ouvir outra coisa por um bom tempo. Primeiro, o óbvio. Aposto que todos se lembram de The Sophtware Slump, o belíssimo e surpreendente antecessor de Sumday. Pois é, sempre que uma banda aparece com um disco tão perfeito quanto esse, o mundo fica de olho no próximo disco, como quem espera morbidamente pelo fracasso iminente. Realmente, Sumday não é nenhum The Sophtware Slump. Mas é bem verdade que The Sophtware Slump também não é nenhum Sumday, um álbum belíssimo e surpreendente. Certo, a gente pode continuar por horas, mas não mencione o Radiohead. O som poderia ser o mesmo pop progressivo de Flaming Lips e afins, mas a amizade com a turma do Giant Sand e os pés fincados na terra natal Modesto, Califórnia são os grandes diferenciais do Grandaddy. Só não venha me dizer que eles não ouvem Pink Floyd. Que venha um álbum conceitual e é bom que seja duplo.

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Visite: www.grandaddylandscape.com





No Neck Blues Band “Intonomancy” (Sound @ One)
Desde que o finado gênio John Fahey, através de seu selo Revenant, apresentou o que veio a ser sua última banda favorita, o No Neck Blues Band emergiu dos lofts de Brooklyn, Nova York para ganhar um lugar de destaque na cena experimental contemporânea. Mas, ao contrário do que se pode ler por aí, não foi apenas o aval de Fahey que incensou a banda. Sticks and Stones May Break My Bones, But Words Will Never Hurt Me foi um dos grandes discos de 2001, trazendo música improvisada, jam sessions hipnóticas, influências de música oriental e norte-americana nativa, folk e krautrock. Felizmente, tudo isso se mostra presente em Intonomancy, lançamento independente do grupo. É bom lembrar que o NNCK faz parte de um coletivo e graças a isso sua formação é ocasionalmente mutante, tornando a banda ainda mais intrigante e imprevisível. Os trunfos de Intonomancy ficam a cargo da percussão minimalista, psicodelia hippie, vocais completamente esquizofrênicos e sintetizadores de encantador de serpentes.

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Visite: www.revenantrecords.com





M. Ward “Transfiguration of Vincent” (Merge)
Há alguns anos, um pequeno zine da Califórnia distribuiu uma coletânea com diversos nomes promissores da cena local. Uma banda chamada Rodriguez se destacava efusivamente do resto. Pouco tempo depois, Howe Gelb, mentor do Giant Sand, lançou o álbum de estréia de M. Ward e aquela voz soou familiar. Enfim, M. Ward era o vocalista do Rodriguez, amigo do pessoal do Grandaddy que o apresentou a Gelb e aqui estamos, no terceiro álbum do rapaz. A transfiguração do título se mostra logo no início do álbum, onde temos a sensação de estar ouvindo o Tom Waits na puberdade. Mas é a partir de “Undertaker” que Ward nos brinda com seu falsete a la Sparklehorse, definindo a fronteira entre o country e o folk, ou o que os norte-americanos chamam de americana. A transfiguração de Ward não é fácil. Sua voz, sua música e seu humor oscilam indefinidamente, mas jamais de maneira brusca, como se Ward fosse uma cobaia inocente de um cientista maluco. A diferença é que criador e criatura são a mesma pessoa.

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Visite: www.giantsand.com/mward





Vários Artistas “Improvised Music from Japan Vol.2” (IMJ)
O segundo volume da caixa com dez discos celebrando o aniversário do site japonês Improvised Music From Japan dá destaque às mulheres. A vocalista Haco, fundadora da banda After Dinner, participa das cinco primeiras faixas, com cinco bandas diferentes. O After Dinner era conhecido por seu ecletismo, passando por fases new wave, rock de vanguarda e música japonesa tradicional. A carreira solo de Haco comporta-se da mesma maneira, assim como suas participações nesta coletânea. Sozinha, canta enquanto manipula um sampler em “High/Low”. Como Mescaline Go-Go, ao lado de Christopher Stephens (um dos estrangeiros residentes no Japão presentes na caixa), cria um duelo de guitarras hipnótico, para finalmente, como Happiness Proof, explodir num crescendo rock. No fim do disco, é a vez da vocalista Ami Yoshida roubar a cena. Sua voz alcança escalas nada usuais para o padrão humano, soando como guinchos e lamúrias de um animal selvagem. Em certos momentos, é difícil acreditar que são apenas vozes.

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