"four hearts in a can, speeding through the countryside and they're driving as fast as they can"

- four hearts in a can, smog

 


John Fahey “Red Cross” (Revenant)
Red Cross é um lançamento póstumo finalizado em 2001. Nessa época, John Fahey lutava contra a doença que o levou à morte e engavetou esse disco por quase dois anos. Sendo assim, Red Cross é oficialmente o último John Fahey. Essa não é a única razão do disco ser tão especial. Fahey nunca pesou tão equilibradamente a música de raiz norte-americana e o experimentalismo quanto aqui. “Remember”, canção de Irving Berlin que abre o álbum, sempre foi uma de suas preferidas, já registrada em Popular Songs of Christmas & New Year's, de 1988. Um álbum introspectivo e reflexivo como Red Cross a tornou uma de suas melhores versões. Funcionou até mesmo para “Summertime”, manjado clássico dos irmãos Gershwin. Suas próprias composições mostram o quanto o guitarrista foi inventivo e desafiador mesmo após quase 40 anos de carreira. “Red Cross, Disciple of Christ Today” é emocionante; “Charley Bradley's Ten-Sixty-Six Blues” é impecável, talvez uma de suas melhores canções em anos. O velho vai fazer falta.

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Set Fire To Flames “Telegraphs in Negative / Mouths Trapped in Static” (Alien8 Recordings)
Em 2001, treze músicos canadenses passaram cinco dias num apartamento registrando sua rotina peculiar, resultando Sings Reign Rebuilder, estréia do Set Fire To Flames. Dessa vez, o grupo se isolou numa fazenda abandonada em Ontário, onde viveram outros cinco dias sem dormir, sob vários níveis de intoxicação e confinamento físico. O cenário se faz presente através de pássaros, portas rangentes e o ruído de corpos em movimento. A idéia é aceitar a vida ao redor ao invés de esterilizá-la em estúdio. Ainda assim, como o antecessor, o álbum duplo nasceu de gravações brutas desconstruídas por computador. A diferença é que o trabalho aqui foi além, seja por composições ou colagem sonora. As referências dão uma idéia do conteúdo: La Monte Young e Tony Conrad, por suas experiências temporais; Harry Partch, por construir e modificar instrumentos; Harry Smith, por arquivar tempo e espaço; e, musicalmente, Györgi Ligeti, os minimalistas e grupos como AMM, Jackie-O Motherfucker e Boxhead Ensemble.

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Visite: www.alien8recordings.com





Alasdair Roberts “Farewell Sorrow” (Drag City)
O folksinger escocês Alasdair Roberts sempre é comparado a Will Oldham, especialmente pelo timbre de voz similar. Não se pode dizer que a comparação é injusta, já que o próprio Roberts e até Oldham admitem a semelhança, ironizada com estilo no grupo Amalgamated Sons of Rest, junto com Jason Molina do Songs: Ohia. Farewell Sorrow é seu segundo álbum solo, além dos quatro à frente do Appendix Out. Se em The Crook of My Arm, sua estréia, Roberts pinçou canções folclóricas britânicas e gravou-as com enorme propriedade, em Farewell Sorrow mostra que aprendeu a compor como se vivesse no século 19. Apesar do álbum trazer seu nome estampado na capa, Roberts é acompanhado por seus colegas de banda. São as mesmas pessoas do Appendix Out e as diferenças são sutis, como a escolha de certos instrumentos e a maneira de toca-los, mas um presente aos ouvidos atentos. As letras são um caso a parte, evocando paisagens pastorais, dialetos arcaicos e temas capitais como castidade, luxúria e assassinato.

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Vários Artistas “Improvised Music from Japan Vol.4” (IMJ)
Algumas verdades nos saltam aos olhos e ouvidos quando alcançamos o quarto volume da caixa que celebra o aniversário do site Improvised Music From Japan. Primeiramente, os álbuns não são divididos por temas e toda a cena pode ser encaixada num rótulo. O silêncio é realidade entre os artistas representados na coletânea. Em segundo lugar, a cena não é tão grande assim. As mesmas pessoas formam todas as bandas e os mesmos artistas aparecem em diversos álbuns da série. Não que essas verdades tirem algum mérito da iniciativa, mas é confortante saber que a situação da música experimental no Japão não é tão diferente da nossa. Mas a comparação talvez não seja uma boa idéia. Quando chegarmos lá, quem sabe. Sachiko M, agora numa peça solo manipulando dois osciladores, fez parte do Ground Zero e toca com Otomo Yoshihide, também presente numa incrível versão ao vivo de “The Blue Kite”. O novo fica por conta de Atsuhiro Ito e seu optron, um instrumento que gera música a partir de luz fluorescente.

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