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 Blue Afternoon “Folxploitation” (Bizarre Music) Adormeça seu conhecimento sobre a produção musical contemporânea e se concentre na estruturação melódica. Aqui e ali sibila uma gaita, preenchendo o silêncio verbal; na epifania das passagens instrumentais, o comando cabe ao violoncelo, soberano na potencialização dos sentimentos prenunciados pelo discurso _como na beleza lancinante de “Green Eyes”. Os ouvidos inocentes levam vantagem na fruição da obra, uma vez que qualquer tese sobre a arte de Guilherme Barrella se desgoverna na insuficiência de argumentos; sua alquimia é simples e tem como ponto culminante a voz lúgubre do crooner desesperado de amor, que encontra paralelismo em Stuart Staples. Porém, Stuart e Guilherme traçam rotas díspares, lídimos em melancolia. O músico brasileiro recebeu estrangeiros durante sua formação perceptiva, mas os mandou de volta para casa no momento da criação, como na antropofagia dos modernistas de 1922. Diante do resultado único e arrebatador, qualquer semelhança torna-se mesmo mera coincidência. (Edson Valente)
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 Blue Afternoon “Folxploitation” (Bizarre Music) O Blue Afternoon contraria àqueles que acreditam que apenas bons músicos podem fazer boa música. Guilherme Barrella, o homem por trás do projeto, não conhece uma linha de teoria musical, não sabe tocar nenhum instrumento, mas é dono de sensibilidade e de talento incomuns. Suas composições são de uma beleza e melancolia ímpares, e tomam forma em Folxploitation pelas mãos de amigos que tocam violão, guitarra, cello, piano e gaita, nos levando a uma viagem por paisagens cinzentas que poderiam estar em um filme de Tim Burton. Uma viagem na qual encontramos Leonard Cohen saindo de um bar, onde o Tindersticks fazia uma apresentação e Nick Cave conversava com Bob Dylan sobre a obra do grande Tim Hardin. Uma viagem por terras sombrias na qual facilmente nos perderíamos, não estivéssemos guiados pela voz grave de Barrella, cantando a tristeza de um modo que não conseguimos ficar impassíveis diante dela. Seguimos, então, encantados pelo bardo até o fim da viagem e logo queremos voltar ao início. (Katia Abreu)
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 Blue Afternoon “Folxploitation” (Bizarre Music) Conheço o Gui há quase dez anos. Já dividimos muitas bandas, projetos e - principalmente - amizade. Conheço sua obsessão pela música em todos seus aspectos. Conheço seu talento. Conheço o Blue Afternoon desde os primeiros passos. Ou melhor, desde a gestação. Então não há outro modo de fazer esta resenha, senão em primeira pessoa. Isenção, o caralho. Poderia dizer algo sobre a precisão com que o disco extrai poesia e beleza de alguns dos mais devastadores dos sentimentos. Poderia comentar o espantoso esmero vocal, lapidado com toneladas de maços de cigarro. Poderia falar da bonita sutileza instrumental, pontuada pelas brilhantes intervenções do cello. Poderia falar das boas letras em inglês, coisa rara no Brasil. Poderia lembrar a maneira tênue como ele incorpora a influência de ídolos como Leonard Cohen, Tindersticks, Tim Hardin, Nick Drake e Bob Dylan. Tudo isso, porém, não serviria para descrever o tamanho da alegria e da emoção que senti ao botar este CD para rodar pela primeira vez. (Dagoberto Donato)
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 Blue Afternoon “Folxploitation” (Bizarre Music) São 2:30 da manhã. Boa hora para escutar Folxplotation. Pelo Blue Afternoon ser uma maravilhosa contradição – banda de um homem que não sabe tocar um instrumento e consegue ao mesmo preencher o álbum com arranjos de tirar suspiros – posso colocar alguns pensamentos em palavras. E memórias. Folxplotation é cheio de memórias. Essa voz barítono de Guilherme, profunda, às vezes indecifrável, às vezes capaz de encher o coração, leva-me para dois anos atrás, quando foi lançado uma edição limitada do seu primeiro EP. A primeira vez que escutei suas músicas me sentia solitária, entrava no personagem e amava passar horas em transe. Com os fones para escutar cada nota, letra e até a respiração. A alma dos dois discos não é muito diferente, a luxúria continua a mesma, mas Folxplotation soa como um compositor em controle. Saturado com arranjos delicados, letras poéticas e clima noir, mais drama que Lambchop e menos baladas que Nick Cave; se você gosta do Tindersticks, está seguro nesse território. (Ana Garcia)
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