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 Pan American “Quiet City” (Kranky) É indescritível a sensação de redescobrir um artista. Nesse caso, vale até dizer que o resgate é em dose dupla. Enquanto a gravadora Kranky renova seu elenco com nomes interessantes como Charalambides, Dean Roberts e Keith Fullerton Whitman, é uma prata da casa que dá a volta por cima. Mark Nelson é o Pan American, mas também é integrante do Labradford, um dos grupos pioneiros no post-rock. Quiet City é o quarto disco do projeto, esperado sem grande antecipação devido à frieza do antecessor The River Made No Sound. O novo disco, porém, abre com o som envolvente do equilíbrio perfeito entre elementos orgânicos e bases eletrônicas, velha especialidade de Nelson. Charles Kim, multi-instrumentista do grupo folk Pinetop Seven, aparece como colaborador em três faixas, mostrando truques que aprimorou no combo jazzístico Sinister Luck Ensemble. É tudo tão natural que Nelson até arrisca usar o som sussurrado das palavras, como fazia no início do Labradford. Uma pérola da música ambient moderna.
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 A Hawk and a Hacksaw “A Hawk and a Hacksaw” (Leaf) Cria do coletivo norte-americano Elephant 6, Jeremy Barnes já militou nas bandas Bablicon e Neutral Milk Hotel, entre outras. Sua mudança para o interior da França rendeu-lhe horas de gravações de campo e o contato com imigrantes aproximou seu estilo de tocar acordeão à música folclórica do Leste Europeu. No curso de praticamente um ano e meio, Barnes fez música com o que encontrou ao redor, de instrumentos tradicionais e inventados a pedaços de sucata e animais domésticos. Durante esse tempo recebeu velhos amigos e companheiros de banda como Jeff Mangum e membros do Olivia Tremor Control e Of Montreal, que não resistiram dar uma passadinha pelo estúdio de Barnes. A fantasia é a sensação intrínseca na auto-intitulada estréia do projeto solo de Barnes, mas esta não inibe o experimentalismo um tanto mais avançado, soando como se Steve Reich compusesse uma trilha sonora para uma fábula de animais falantes ou um desenho animado de uma ópera gótica de Bertold Bretch e Kurt Weill. Excelente.
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 Magyar Posse “Kings of Time” (Verdura) No campo das descobertas, nada melhor do que buscar num terreno fértil como a Finlândia. Kings of Time é o segundo disco do quarteto, que ignora a existência do pós-rock e segue o caminho da música instrumental. Atualmente todo rock instrumental é dito pós-rock. Foi-se o tempo em que as pessoas tinham dificuldades de entender a escolha de um artista em criar trilhas sonoras para filmes inexistentes. Talvez seja uma das razões pela qual tantas bandas rejeitem o rótulo. É fácil demais botar uma etiqueta tão abrangente quanto o pós-rock, nada mais natural que tenha sido criada por um jornalista. De volta ao Magyar Posse, suas trilhas sonoras são tributos emocionados a Ennio Morricone e Goblin. Mas isso não quer dizer que eles não absorveram nada do rock progressivo, krautrock e, por que não, do pós-rock. Suas ferramentas vão de um simples efeito na guitarra até um magnífico crescendo orquestrado, passando por arranjos de voz assombrosos e truques de estúdio. Melhor que isso, só com filme.
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 Vetiver “Vetiver” (DiCristina) Inicialmente, o Vetiver era apenas um projeto de Andy Cabic, que seguia ao violão e banjo a dupla Alissa Anderson e Jim Gaylord, violoncelo e violino, respectivamente. Mas, para o disco de estréia, o trio se tornou um supergrupo. Devendra Banhart assumiu o coadjuvante segundo violão e backing vocals, Joanna Newsom (falo mais dela em breve) empresta seus magníficos dotes de harpista, Hope Sandoval deixou o ermo e trouxe o atual parceiro, Colm O'Ciosoig. Ele costumava tocar numa banda chamada My Bloody Valentine. Com tudo isso em mãos, Cabic manteve a cabeça no lugar e saiu vitorioso ao apostar na simplicidade. Sua habilidade como compositor o coloca em algum lugar entre o rock californiano dos anos 60 e o folk britânico dos anos 70, onde usa a contenção do minimalismo e o tradicionalismo da música sulista norte-americana como ferramentas. Acima disso, a música do grupo mantém um forte estigma pop e, ainda que ecoe sons do passado, um frescor de contemporaneidade. Uma estréia promissora.
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